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The Dark Joke

Nerds life is such a Dark Joke...

The Dark Joke

Nerds life is such a Dark Joke...

Occasional... No

 Pelo que dizem as más línguas, a vida é feita de encontros e desencontros... Por muito vagos ou impercetíveis que sejam, cada encontrão, pedaço de chão pisado ou palavra ouvida que ecoa por frações de segundo desvanecendo-se na multidão, deixam marcas... Marcas involuntárias e muitas vezes impensáveis que nos levam a agir e pensar de modos diferentes sem razão aparente... Surpreendentemente, as pessoas têm a capacidade de nos cunhar, de se colocarem perante nós e de nos forçarem a fixa-las, relembra-las, vê-las...

 

 Um encontro ocasional de amigos, embora dito ocasional como sendo algo banal e insignificante, nada disso aparenta ter. Tudo começa com a chegada... Eu chego de rompante, atravessando as ruas curiosas pela estranheza de ali me verem. Alcanço-os com o meu olhar, que assiste a um alegre aceno e para eles corro. E lá estás tu alma desconhecida, de sorriso fechado, olhos meigos e bondosos e com uma timidez fascinante... sou-te apresentada como estranha, porém intercedes e recordas-me assim como eu a ti. E tudo estagna. Findas as apresentações partilhas comigo o teu casulo de mistério e ali ficamos, desviando olhares que se possam cruzar remotamente e involuntariamente para não aparentarmos ter algo de especial... 

 E assim procegue a ocasionalidade, que acentua e se aproxima cada vez mais do verdadeiro significado da palavra... até te dispores em frente a mim... Sentas-te como que despropositadamente à minha frente e ali quedas... Conversativo com quem conheces, reservado perante mim, mas à minha frente... Tocas-me quase que impercetivelmente mas tão repetidas vezes que parece voluntario. Limito-me a olhar-te, buscar-te nesse mar negro tão profundo, a sorrir meigamente, dizendo "Não faz mal"... E tudo recomeça... O silêncio que nos separa é cortado por algumas palavras nossas mas não entre nós, e gargalhadas impessoais... Mas tu olhas-me... Todo o tempo em que lá estamos, sou admirada por ti, e tu por mim, de um modo invisível, porém constante e por nós sabido...

 

 Converso sem te olhar, sem a ti me dirigir pensando que não me ouves, não me atentas... Erro crasso de pura ignorância... As despedidas demonstram o contrário, são feitas com tamanha infelicidade e desconforto, como que entre duas pessoas que sabem algo que não deviam... ou deviam... E sabem-no bem...